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Efeito Beijing-Brasília: a parceria comercial de US$ 47 bilhões que pode mudar o rumo das florestas

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Metade das exportações agrícolas do Brasil vai para a China e um terço das importações agrícolas da China vem do Brasil. O comércio entre Brasil e China está ligado a 25% do risco de desmatamento associado ao comércio internacional de commodities agrícolas em todo o mundo. A colaboração em sustentabilidade da cadeia de fornecimento entre esses dois gigantes comerciais pode transformar as práticas agrícolas globais e os esforços de proteção florestal.

Oxford, Reino Unido (18/03/2026) – A Trase divulgou um relatório mostrando como o Brasil e a China têm a oportunidade de usar sua poderosa relação comercial para ajudar a conter o desmatamento e reduzir as mudanças climáticas sem comprometer a segurança alimentar e a estabilidade econômica.

A relação comercial agrícola entre Brasil e China, avaliada em quase US$ 47 bilhões anuais, é a maior do mundo, superando o comércio agrícola entre EUA e China em 40%. A análise da Trase mostra que:

  • 52% das exportações agrícolas do Brasil são destinadas à China (2023)
  • 34% das importações agrícolas da China vêm do Brasil (2023)
  • O comércio Brasil-China, por si só, representa 25% do risco de desmatamento associado ao comércio internacional de commodities agrícolas.

Dada a escala da relação comercial agrícola entre Brasil e China, ações conjuntas têm o potencial de beneficiar a sustentabilidade do comércio de commodities globalmente, criando um fenômeno que a Trase chama de “efeito Beijing-Brasília” [1].

“Brasil e China têm um potencial enorme para influenciar a sustentabilidade das cadeias de suprimentos agrícolas globais e contribuir para a segurança alimentar de bilhões de pessoas”, afirma André Vasconcelos, líder de Engajamento Global da Trase. “Em um momento em que a ação multilateral enfrenta desafios crescentes, a cooperação bilateral pode oferecer um caminho eficaz para alcançar ganhos ambientais e econômicos significativos”.

O risco de desmatamento associado ao comércio Brasil-China está concentrado em um número relativamente pequeno de regiões produtoras, tornando possível uma ação direcionada e escalável que impulsione mudanças sistêmicas. Embora mais de 1.500 municípios brasileiros forneçam soja para a China, apenas 73 respondem por 75% do risco total de desmatamento.

A significativa interdependência entre os dois países cria um risco sistêmico compartilhado, especialmente à medida que as mudanças climáticas e o desmatamento começam a prejudicar a produtividade agrícola. A seca de 2020 no sul do Brasil, por exemplo, reduziu a produção de soja e milho no Rio Grande do Sul em 46% e 32%, respectivamente. E a seca na Amazônia em 2021-2022 causou uma perda estimada em US$ 13 bilhões na safra de soja, levando a uma queda de 12% no PIB agrícola do Brasil no início de 2022.

O relatório destaca cinco ações estratégicas que os dois países podem aprimorar para tornar suas relações comerciais mais sustentáveis, com base em políticas públicas e iniciativas empresariais já em vigor.

“A ampliação dessa cooperação pode ajudar a estabelecer uma poderosa prova de conceito, um efeito Beijing-Brasília, abrindo caminho para uma cooperação Sul-Sul mais ampla em comércio sustentável”, destaca André Vasconcelos. “As bases para alavancar esse efeito já estão estabelecidas: um histórico comprovado de liderança ambiental, a importância da parceria comercial bilateral e o papel central do desmatamento e da agricultura de baixo carbono para garantir a resiliência da cadeia de fornecimento”.

O relatório é publicado em um momento oportuno, visto que a China está finalizando seu 15º plano quinquenal, com forte foco na economia verde e no fortalecimento da segurança alimentar. O relatório da Trase está disponível para download em https://doi.org/10.48650/23BZ-VK60.

Para mais informações:

Gisele Neuls, coordenadora de Comunicação da Trase-Global Canopy | g.souzaneuls@globalcanopy.org | +44(0)7925 128 159

Nota para editores

[1] A expressão deriva do “efeito Bruxelas”, que descreve a influência da legislação da União Europeia na elevação de padrões ambientais globais.

[2] Um webinar com especialistas será realizado para discutir as conclusões do relatório e possíveis caminhos a seguir no dia 15 de abril, às 8h (horário de Brasília). Para se inscrever antecipadamente no webinar, entre em contato com Gisele Neuls.

Sobre a Trase

Trase é uma iniciativa sem fins lucrativos fundada em 2015 pelo Stockholm Environment Institute e pela Global Canopy, com o objetivo de trazer transparência ao desmatamento e ao comércio de commodities agrícolas. www.trase.earth


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