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Nova análise traz mais transparência às cadeias de fornecimento de carne bovina no Brasil

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Empresas que compram carne bovina do Brasil devem adotar uma abordagem baseada em dados para avaliar os riscos de exposição a desmatamento de frigoríficos e fazendas que fornecem gado, de acordo com um novo relatório da Trase.

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Peões conduzem o gado no Brasil (Joa Souza/Shutterstock.com)

A complexidade e opacidade da cadeia da pecuaria de corte do Brasil é um fator limitante nos esforços para conter o desmatamento. O gado passa por múltiplas fazendas – cria, recria e engorda – antes de chegar aos frigoríficos. Além disso, muitas fazendas e abatedouros têm múltiplos fornecedores, o que torna mais difícil rastrear o gado do pasto ao prato.

Embora tenham sido feitos investimentos significativos na rastreabilidade do gado para além dos fornecedores diretos – incluindo a adoção de sistemas subnacionais SeloVerde e a inclusão de diretrizes GTFI para monitoramento de fornecedores indiretos entre os requisitos de auditoria –, ainda persistem importantes lacunas e desafios relacionados à disponibilidade de dados.

Uma nova análise da Trase oferece uma visão sobre esses desafios. Avaliamos as abordagens existentes para estimar as zonas de origem do gado na Amazônia brasileira e identificar o melhor método baseado em dados. Em seguida, calculamos o risco de exposição a desmatamento das zonas de abastecimento de 1.249 abatedouros em todo o Brasil.

A base de dados resultante – disponível gratuitamente em trase.earth – oferece uma ferramenta útil para empresas e instituições financeiras que buscam cumprir um número crescente de estruturas voluntárias e regulatórias, como o Regulamento da União Europeia sobre Desmatamento (EUDR), a Taskforce on Nature-related Financial Disclosures (TNFD), e os requisitos da Science Based Targets Network (SBTN) relacionados à avaliação e divulgação de riscos.

Avaliação de zonas de abastecimento baseada em dados

Tradicionalmente, as avaliações de risco em nível de unidades de processamento usam o método do cálculo de raio para estimar as zonas de abastecimento, desenhando um círculo em torno do abatedouro. No entanto, isso fornece apenas uma estimativa grosseira, pois não leva em conta aspectos geográficos e logísticos, como estradas e rios.

Em vez disso, aplicamos uma abordagem de 'ponderação por município'. Este método reconhece que os abatedouros não se abastecem uniformemente; eles obtêm a maior parte de seu gado de municípios específicos, muitas vezes próximos. Ao ponderar esses fluxos de fornecimento, criamos um mapa mais detalhado de exposição dos frigoríficos ao risco de abater gado vindo de áreas de desmatamento. Este método usa dados logísticos como registros de transporte de gado, malhas rodoviárias e registros de inspeção sanitária que estão disponíveis publicamente, embora sua qualidade e disponibilidade variem consideravelmente em diferentes partes do país.

Diligência prévia

Os resultados de nossa análise para todo o Brasil revelam áreas com concentração de risco dentro da cadeia de fornecimento de gado de corte. Apenas 33 abatedouros das 1.249 unidades estudadas foram responsáveis por 60% da exposição total ao desmatamento; outros 90 abatedouros adicionaram 30% a mais de risco. A grande maioria – 1.023 instalações – contribuiu com menos de 10% da exposição do gado a desmatamento em todo o Brasil. Os achados sugerem que empresas e instituições financeiras devem concentrar seus esforços de diligência prévia (due diligence) em um pequeno subconjunto de abatedouros de maior risco onde existe a maior parte da exposição ao desmatamento.

O valor desta abordagem foi testado por uma grande empresa de bens de consumo que usou os dados de zona de abastecimento da Trase para fazer o benchmark dos 23 abatedouros que são seus fornecedores diretos no Brasil. A empresa utilizou a ponderação por município em vez foi além da modelagem por raio para classificar cada abatedouro, utilizando um método baseado em dados que capturou seus padrões reais de fornecimento. As instalações foram rotuladas como 'em risco' se metade ou mais do volume fornecido fosse originário de municípios classificados como de alto risco de exposição do gado ao desmatamento.

Foram identificados 12 abatedouros na categoria de risco, cinco dos quais obtinham dois terços de seu gado de regiões de alto risco. Os resultados permitiram à empresa priorizar o engajamento com estes fornecedores para avaliar suas estratégias de mitigação de risco, incluindo rastreabilidade em nível de fazenda e sistemas de monitoramento de conformidade.

Com base no relatório, a Trase faz quatro recomendações importantes para governos, empresas e instituições financeiras:

  • Melhorar a qualidade e a transparência dos dados: O governo brasileiro deve priorizar o preenchimento as lacunas de dados existentes, particularmente os registros de movimentação de gado (Guia de Trânsito Animal/GTA) e os dados de registro de propriedade (Cadastro Ambiental Rural/CAR) e garantir que estejam mais bem integrados e acessíveis ao público.
  • Adotar avaliação de risco baseada em dados: Empresas e instituições financeiras devem se afastar de estimativas simplificadas baseadas em raio. Ao usar modelos ponderados por município, as organizações podem identificar zonas com grande volume de abastecimento que também são de alto risco, permitindo um engajamento mais eficaz com os fornecedores.
  • Coordenar padrões globais: É necessário promover o alinhamento entre as organizações de normalização para orientar a aplicação de métodos baseados em dados. Isso incentivará uma divulgação corporativa mais ampla e padronizará a forma como o desmatamento, as emissões de gases de efeito estufa e outros impactos são reportados quando não houver dados em nível de fazenda disponíveis.
  • Abordar riscos compartilhados por meio de iniciativas de paisagem: Dado que riscos como o desmatamento associado a fornecedores indiretos são compartilhados por vários frigoríficos, faz sentido que as empresas atuem de forma colaborativa por meio de investimentos em escala de paisagem. Ao compartilhar os custos de monitoramento, cumprimento legal e restauração de pastagens, as empresas podem elevar o nível de conformidade de regiões inteiras, reduzindo o risco para todos os atores da área de abastecimento.

Baixe o relatório (em inglês)

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