Escassez de água é risco oculto para exportadores de soja e carne
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EnglishNova pesquisa da Trase quantifica como a exportação de commodities brasileiras está exposta a riscos de escassez de água e desmatamento
Oxford, Reino Unido (8 de janeiro de 2026) – Um novo estudo da Trase mostra que os exportadores de soja e de carne bovina do Brasil dependem fortemente dos recursos de água doce do país, criando vulnerabilidades para traders, governos e mercados globais. Ainda assim, esse fator de risco está ausente na maioria dos sistemas de monitoramento e dos relatórios das empresas.
Com um novo conjunto de dados, o estudo quantifica os volumes indiretos de água doce utilizados nas exportações de soja e de carne bovina nas 12 bacias hidrográficas do Brasil. Todos os anos, o setor de pecuária brasileiro requer mais água doce do que São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Paraná e o Distrito Federal juntos. Os cinco maiores exportadores de carne bovina dependem principalmente das bacias do Paraná (28%), do Tocantins-Araguaia (26%) e da Amazônica (23%).
A produção de soja depende majoritariamente da chuva, consumindo até 206 km³ por ano, o equivalente a sete vezes a capacidade da Usina de Itaipu, a segunda maior hidrelétrica do mundo. A irrigação, tecnologia ainda pouco utilizada nas lavouras de soja no Brasil, adiciona mais 1,7 km³ por ano.
Apesar dessa dependência, as empresas normalmente monitoram apenas o uso direto de água em suas operações, com pouquíssima visibilidade sobre a água utilizada na produção das commodities em si.
“Os resultados deixam claro que ampliar a transparência nas cadeias de suprimento é essencial para compreender a pegada ambiental completa do comércio global de commodities. Incorporar o uso da água nas avaliações das cadeias de suprimento é a próxima fronteira para as empresas comprometidas com o fornecimento sustentável”, aponta Michael Lathuillière, pesquisador sênior da Trase e do SEI.
A pesquisa é a primeira a analisar o uso da água em cadeias de commodities, utilizando mapas espaciais detalhados da Trase tanto para soja quanto para carne bovina no Brasil, preenchendo uma lacuna importante de conhecimento. O objetivo é aumentar a visibilidade sobre a dependência indireta das exportações em relação à água e orientar ações concretas para a gestão sustentável dos recursos hídricos nas cadeias de suprimento.
“Está claro que, para que as cadeias de soja e carne bovina brasileiras sejam lucrativas no futuro, os riscos hídricos precisam ser abordados com urgência, garantindo o respeito aos direitos humanos e às proteções ambientais em toda a cadeia de valor. Esses resultados reforçam a urgência de agir em relação aos riscos hídricos no setor de commodities agrícolas”, afirma Charles Wight, diretor de Pesquisa e Política da Water Witness.
O relatório sobre o risco de escassez de água e de commodities (em inglês) é acompanhado por uma análise complementar, publicada no site da Trase, em parceria com a Water Witness. Juntos, os dois trabalhos examinam os riscos hídricos nas cadeias de suprimento e suas implicações para empresas, formuladores de políticas e investidores.
A análise mostra a importância de traders estabelecerem metas de Escopo 3 para a água, abordando o uso por parte dos fornecedores, a exposição a riscos e os impactos ambientais, assim como já fazem muitos em relação ao desmatamento e às emissões de gases de efeito estufa. Também sugere que o crédito rural e os investimentos devem recompensar práticas que protejam os recursos hídricos e complementem os requisitos de desmatamento zero nas políticas financeiras.
Para mais informações:
Gisele Neuls, assessoria de comunicação da Trase na Global Canopy | g.souzaneuls@globalcanopy.org | +44(0)7925 128 159
Sobre a Trase
Trase é uma iniciativa sem fins lucrativos fundada em 2015 pelo Stockholm Environment Institute e pela Global Canopy, com o objetivo de trazer transparência ao desmatamento e ao comércio de commodities agrícolas. www.trase.earth
Sobre a Water Witness
A Water Witness lidera ações, pesquisas e campanhas por um futuro justo para a água, para que todas as pessoas possam ter acesso à água de que precisam para viver bem e estejam protegidas contra enchentes, secas, poluição, degradação dos ecossistemas e conflitos hídricos. www.waterwitness.org




